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24 de Junho de 2017

O feminismo é um impertinente?

Alice Bianchini, Advogado
Publicado por Alice Bianchini
há 3 meses

O feminismo um impertinente

1) O feminismo questiona a ORDEM ESTABELECIDA

O feminismo, desde a sua origem mais remota, sempre se caracterizou por questionar e buscar modificação de certas práticas do mundo, mais especificamente, a mudança da situação feminina. E, exatamente por conta disso, sempre foi visto como um impertinente[1], inclusive por mulheres que não estavam tomadas da autoconsciência acerca da sua injusta condição social, familiar, pessoal, econômica e jurídica.

O feminismo é o filho não desejado do Iluminismo (Amelia Valcárcel[2]); foi quando se iniciaram as perguntas impertinentes:

- Por que estão excluídas as mulheres?

- Por que os Direitos somente correspondem à metade do mundo, os homens?

- Onde está a origem dessa discriminação?

- Que podemos fazer para combatê-la?

Durante um longo período histórico foram raras as respostas aos questionamentos anteriormente trazidos, exatamente pelo fato de que as discriminações no que diz respeito à condição feminina não eram vistas como tais. A ideologia que tratava de justificar as desigualdades e as descriminações estava tão impregnada que, mesmo as mulheres, vítimas de tais condições, não conseguiam enxergar quão injustas elas eram.

A título de exemplo, podemos citar os discursos que enalteciam as características ditas femininas, ao mesmo tempo em que concluía serem elas não compatíveis, por exemplo, com o exercício de direitos políticos. Aliás, sobre tal tema, há uma passagem histórica que merece ser registrada, ocorrida por ocasião da discussão, na Assembleia Constituinte de 1891, sobre o sufrágio feminino. Dentre tantos discursos contra o voto feminino, destaca-se o seguinte:

Deixo a outros a glória de arrastarem para o turbilhão das paixões políticas a parte serena e angélica do gênero humano. A observação dos fenômenos afetivos, fisiológicos, psicológicos, sociais e morais não me permite erigir em regra o que a história consigna como simples, ainda que insignes, exceções. Pelo contrário, essa observação me persuade que a missão da mulher é mais doméstica do que pública, mais moral do que política. Demais, a mulher não direi ideal e perfeita, mas simplesmente normal e típica, não é a que vai ao foro, nem a praça pública, nem as assembleias políticas defender os direitos da coletividade, mas a que fica no lar doméstico, exercendo as virtudes feminis, base da tranquilidade da família, e por consequência da felicidade social (Dep. Pedro Américo, Câmara dos Deputados, sessão de 27 de janeiro de 1891 – grifou-se).

O então congressista destaca o que, talvez, lhe pareciam ser as características tidas por femininas (“parte serena e angélica do gênero humano”). Talvez o fizesse porque alcançado pela ideologia dominante, que reservava à mulher essa condição, mas talvez o fizesse exatamente para, em se apropriando da ideologia dominante, argumentar ao senso comum, propugnando por não conceder um direito às mulheres (direito ao voto).

Outro exemplo é a justificativa ideológica para a superexploração do trabalho da mulher. Dentre elas: “as mulheres necessitavam de menos trabalho e menos salários do que os homens porque, supostamente, tinham ou deveriam ter quem as sustentassem.”[3]

Tais discursos permanecem circulando, como se pode perceber na fala do eurodeputado polonês Janusz Korwin-Mikke[4]:

Sabem que posição as mulheres ocuparam nas Olimpíadas gregas? A primeira mulher, digo-vos eu, ocupou a posição 800. Sabem quantas mulheres estão entre os primeiros cem jogadores de xadrez? Eu direi: nenhum. Por isso que as mulheres devem ganhar menos que os homens. Porque são mais fracas, menores e menos inteligentes.

A manifestação do eurodeputado ocorreu no plenário do Parlamento Europeu na ocasião em que se discutiam as disparidades salariais entre homens e mulheres, que atualmente, na Europa, atinge o patamar médio de 16%.

Foi contra tais injustiças que o Feminismo se insurgiu e continua se insurgindo. Suas manifestações mais contundentes, como dito anteriormente, surgem na esteira do movimento que desencadeou a Revolução Francesa. A partir daí as contestações acerca da condição feminina passaram a ocorrer de forma mais acentuada. No entanto, após o triunfo do movimento político - cujos lemas principais eram liberdade, igualdade e fraternidade -, as representantes do sexo feminino que haviam contribuído para a consolidação do ideário revolucionário não viram as conquistas se estenderem ao seu sexo. E, o que é mais grave: todas as insurreições foram abafadas por meio de métodos violentos, nos quais se incluem a decretação da pena capital. Há registros de quase 400 execuções de mulheres durante o Terror.[5]

Dentre as mulheres que se destacaram nesse período, pode-se mencionar a escritora francesa Olympe de George. Foi ela quem elaborou, no ano de 1791, a Declaração de Direitos da Mulher e da Cidadã. Dois anos depois foi guilhotinada. Sua acusação consistia em ter desejado ser homem de Estado, descuidando-se das virtudes próprias de seu sexo. Quando de sua execução, a escritora francesa exarou a frase que a consagrou: “Se as mulheres têm o direito de subir ao cadafalso, também deveriam ter o direito de subir à tribuna.”

Ao se perceber que se trata de um movimento que questiona a ordem estabelecida, compreende-se o motivo da enorme carga de resistência que ele sofreu e continua sofrendo ao longo de sua existência. No Brasil, uma leitura das Constituições brasileiras em relação ao princípio da proibição de discriminação em razão do sexo mostra o quanto foi difícil a consagração do principal baluarte dos movimentos feministas (igualdade = justiça). É disso que trataremos a seguir.

2) O feminismo é CONSTITUCIONAL – busca a igualdade entre homens e mulheres

Uma verificação nas Constituições de nosso país demonstra que sempre houve preocupação com a questão da igualdade.

No que se refere à isonomia sexista, esta foi, textualmente, formalizada com o advento da Constituição de 1934, por meio da seguinte prescrição: “Todos são iguais perante a lei. Não haverá privilégios, nem distinções, por motivo de (...) sexo” (Art. 113, 1). As Constituições que se seguiram também trouxeram preceitos que praticamente reproduziram o transcrito.

Por ser uma regra constitucional, o princípio isonômico obriga a consonância de seus postulados à totalidade do regramento jurídico. Desta forma, toda lei (seja já existente ou a ser criada) que não se encontre em sintonia com a disposição constitucional não deve ser aplicada pelos magistrados, nem obedecida pela Sociedade.

Seguindo tal raciocínio, disposições legais que estabelecessem privilégios ou distinções a um sexo em detrimento do outro restariam por prejudicadas, tornando-se carecedoras de condições de aplicabilidade.

No entanto, a realidade forense apresenta situação bastante diversa. Após a Carta de 1934 as normas que contrariavam a legislação constitucional permaneceram fundamentando decisões, e, mais do que isto, outras da mesma natureza foram criadas. Dizendo de forma diferente: a letra da Lei Magna não introduziu qualquer modificação efetiva, nem no cotidiano social, nem no campo jurídico.

Para se ter uma ideia do que se afirma, convém mencionar que, mesmo após entrar em vigor a Carta de 1934, a qual, como já referido, proibia explicitamente a discriminação em razão do sexo, a mulher permaneceu sendo considerada relativamente incapaz. Tal quadro somente foi alterado após três décadas, com o advento da Lei 4.212/64 (Estatuto da Mulher Casada) que, apesar dos avanços no que concerne à situação jurídica do contingente feminino, longe estava de estabelecer a igualdade.

Um importante questionamento: Como os autores, principalmente os constitucionalistas, justificavam a permanência de normas infraconstitucionais que discriminavam as mulheres? Tal paradoxo era respondido por meio de duas ordens de argumentos: os valorativos e os técnico-jurídicos.

A característica do valorativo é apelar para a “natural” inferioridade biológica da mulher e para a necessidade de se conservar a família, suas tradições e o papel de elevada importância que os núcleos familiares desenvolvem na Sociedade. Na “questão familiar”, atributos considerados femininos são destacados, sendo consignadas às mulheres diversas qualidades, como afetividade, pureza, perspicácia, sublimidade de sentimento, entre outras, o que lhes proporcionaria maiores condições para empreender, de forma mais condizente, a educação dos filhos, e gerir competentemente o lar. É, ela, tida como o “anjo tutelar da família”, a “educadora do coração” e o “apoio mais sólido do homem”.

Do ponto de vista técnico-jurídico, os argumentos discriminatórios estiveram fulcrados na atribuição do caráter do princípio da igualdade, que, para a maioria, era formal, tornando-se, via de consequência, também, relativo. Assim, nas ocasiões em que se fizesse uso de justificativa considerada plausível, o comando isonômico deveria curvar-se às necessidades, possibilitando, desta forma, que fossem realizados tratamentos diversos, em razão, inclusive, do sexo, ainda que as Constituições tenham, expressamente, declarado a igualdade, sendo que a quase totalidade delas, como já se fez referência, também inclui prescrição na qual são proibidas quaisquer distinções que se baseiem no sexo.

Somente com o advento da Constituição de 1988 é que se principiaram discussões mais sólidas sobre o tema que envolve direitos atribuídos às mulheres. Muitos juristas passaram a entender que a nova Carta teria equiparado, plenamente, no campo jurídico, os sexos, em virtude de sua redação, que é a seguinte: “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição.” (Art. 5º, parágrafo 1º)

A legislação brasileira já deu conta de revogar todas as normas discriminadoras. No entanto, na prática jurídica encontramos, ainda que minoritariamente, manifestações discriminatórias. Há os renitentes que insistem em não aderir às mudanças introduzidas, mesmo que para tanto tenham que aviltar seus princípios legalistas, desprezando dispositivos constitucionais. Um exemplo pode ser encontrado na manifestação do ministro Ives Gandra Martins Filho, que, ao decidir acerca de dispositivo constante na Consolidação das Leis Trabalhistas (art. 384 da CLT que trata do descanso de 15 minutos antes do início da hora extra pelas mulheres), afirmou:

Trabalhos há também que se não adaptam tanto à mulher, a qual a natureza destina de preferência aos arranjos domésticos, que, por outro lado salvaguardam admiravelmente a honestidade do sexo, e correspondem melhor, pela sua natureza, ao que pede a boa educação dos filhos e a prosperidade da família.

E ainda fundamentando a sua decisão, traz o entendimento de Edith Stein, para quem

cada um dos sexos teria sua vocação primária e secundária, em que, nesta segunda, seria colaborador do outro: a vocação primária do homem seria o domínio sobre a terra e a da mulher a geração e educação dos filhos (A primeira vocação profissional da mulher é a construção da família). Por isso, a mulher deve encontrar, na sociedade, a profissão adequada que não a impeça de cumprir a sua vocação primária, de ser o coração da família e a alma da casa. O papel da mulher é próprio e insubstituível, não podendo limitar-se à imitação do modo de ser masculino (cfr. Kawa, E. Edith Stein. São Paulo: Quadrante, 1999. P. 58-63).

A fundamentação trazida, convém que se diga, é inconstitucional, pois contraria frontalmente os dizeres da Carta Magna, a qual determina a igualdade de direitos e obrigações entre homens e mulheres, significando dizer que é inconstitucional atribuir ao homem “o domínio sobre a terra” e à mulher a “vocação profissional de construção da família”. Ambos são livres para, dentro da relação matrimonial, decidirem o que os tornam mais felizes, o que têm por mais adequado, inclusive a divisão plena dos deveres relativos á família que constituíram.

A questão que gira em torno do descanso de 15 minutos antes do início da hora extra pelas mulheres foi bem apresentada pelo ministro Dias Tófoli, ao trazer para o debate, como justificativa para a manutenção da norma (art. 384 da CLT), a pesada dupla jornada de trabalho da mulher brasileira (RE 658312/SC, j. 27/11/2014). Constam no voto do ministro os seguintes arrazoados:

As situações expressas de tratamento desigual, sobre as quais poderia ocorrer alguma dúvida, foram dispostas formalmente na própria Constituição, como podemos verificar, por exemplo, nos arts. , inciso XX, e 40, § 1º, inciso III, letras a e b.

Pela leitura desses dispositivos, podemos concluir que a Constituição Federal veio a se utilizar de alguns critérios para esse tratamento diferenciado: [...]

iii) considerou haver, também, um componente social, pelo fato de ser comum o acúmulo de atividades pela mulher no lar e no ambiente de trabalho – o que, de fato, é uma realidade e, portanto, deve ser levado em consideração na interpretação da norma.

Ainda de acordo com o ministro:

O trabalho contínuo impõe à mulher o necessário período de descanso, a fim de que ela possa se recuperar e se manter apta a prosseguir com suas atividades laborais em regulares condições de segurança, ficando protegida, inclusive, contra eventuais riscos de acidentes e de doenças profissionais. Além disso, o período de descanso contribui para a melhoria do meio ambiente de trabalho, conforme exigências dos arts. , inciso XXII, e 200, incisos II e VIII, da Constituição Federal.

Se, por um lado, como dito anteriormente, as descriminações foram extirpadas das legislações, por outro, elas continuam habitando as práticas sociais, econômicas, familiares, pessoais e jurídicas e são responsáveis pelo alto nível de desigualdade de gênero de que o País é detentor, bem como pelo desolador índice de violência contra as mulheres.

3) O Brasil é o 79º país mais DESIGUAL no quesito gênero e o 5º em MORTE DE MULHERES

Ao analisarmos os dados sobre a igualdade de gênero no nosso país, deparamo-nos com um quadro desolador: índice altíssimo de desigualdade entre homens e mulheres. E, pior, diagnósticos no sentido de que ainda levaremos muito tempo para obter a igualdade.

  • ­ 79º em desigualdade de gênero dentre 144 países – IDG/2016[6]
  • ­ 95 anos equidade de gênero - Fórum Econômico Mundial
  • ­ 104 anos igualdade salarial - IDG/2016
  • ­ 40 anos de atraso por conta da forma como mulher é representada na mídia - Monitoramento Global da Mídia/2014
  • ­ Cerca de 10% de participação feminina na política
  • ­ Mulheres gastam 20,6 horas de trabalho doméstico por semana; Homens, 9,8 horas[7]
  • ­ Homens brasileiros casados e mulheres brasileiras casadas são, respectivamente, os mais felizes e as mais infelizes[8]
  • ­ 5º país que mais mata mulheres dentre 83 países – Mapa Violência contra a Mulher 2016

Diante de tais informações, cabe uma pergunta: é justa tal situação? A resposta só pode ser negativa e foi em torno de tal injustiça que os movimentos feministas se mobilizaram. Não obstante a nobel bandeira, ao nos depararmos com o sentimento da sociedade em relação ao feminismo, observamos que é de incredulidade, quando não de repugnância e hostilidade, numa demonstração inequívoca de total desconhecimento acerca dos propósitos, do seu poder subversivo e do significado histórico dos movimentos feministas na vida de homens e mulheres da atualidade.

4) Mas, a final, o que é o FEMINISMO?

O feminismo é um discurso político que se baseia na justiça. Mas também é uma prática, um movimento. Suas principais características: teoria política + prática social + uma ética e uma forma de estar no mundo.

Trata-se de uma teoria da justiça que mudou o mundo e se mobiliza todos os dias para garantir que os seres humanos sejam o que queiram ser e vivam como eles queiram viver, sem que o seu sexo de nascimento determine os seus destinos. Mulheres livres, donas de seu destino, aptas para viver a sua vida e para apreciá-la sem que sua condição sexual as impeça. Dessa forma, o feminismo tem uma longa história “como movimento social emancipatório”.

Mas, ademais de impertinente (já que sempre questionou a ordem estabelecida), ou exatamente por sê-lo, há um conhecimento vulgar – muitas vezes capciosa e ardilosamente repetido – totalmente distorcido sobre o feminismo. O que a sociedade pensa saber sobre feministas, feminismo, movimentos de mulheres, suas bandeiras de luta, seus modos de enfrentamento, etc. Passa ao largo da realidade do que o feminismo propõe e pugna. Observa-se, inclusive por parte das mulheres, um rechaço à ideia do feminismo, uma ausência de identificação com o movimento, desconhecendo ter sido ele o responsável pelas mudanças positivas em relação ao seu gênero. Deve ser lembrado que foi a partir dos movimentos feministas que mulheres puderam assumir o papel de protagonistas da sua própria história, transformando as suas vidas. E, ao fazê-lo, permitiram que as mulheres de hoje pudessem decidir seu próprio destino.

Atualmente, no entanto, apesar da eficácia da ideologia que põe em foro de natureza a vigente desigualdade social decorrente de condição sexual e oculta às próprias mulheres o caráter político das relações entre os sexos, tornando-as cúmplices de sua desvalorização, verifica-se que, pelos tempos, esta assimetria tem comportado a resistência. Mulheres e homens vêm denunciando-a, demonstrando a incoerência e a falta de fundamentação da exclusão da mulher do espaço público, reivindicando e obtendo o alargamento, cada vez significativo, do lugar que as mulheres ocupam no interior das relações sociopolíticas.

As mulheres, assim, deixam de ser protagonistas de uma história que as subjuga, para encetar posturas que desmascaram qualquer pretensão de superioridade de um sexo sobre o outro. Esse novo estatuto que a mulher galgou foi moldado por aqueles queperceberam que as diferenças não implicam desigualdades; que compreenderam que os traços que caracterizam homens e mulheres não os colocam em oposição.

Foi por conta da insistência permanente de pessoas (homens e mulheres) que contestaram o instituído, que se pode observar, atualmente, uma manifesta mudança na distribuição dos papeis sexuais. Há ainda muito que se fazer, e os movimentos feministas estão conscientes disso. Suas ações não se farão cessar até que nos encontremos em uma condição que atinja níveis civilizatórios. Estamos juntos?

[1] VARELA, Nuria. Feminismo para principiantes. Barcelona: Ediciones B., 2005, p.

[2] Apud BELTRÁN, Elena. Feminismos: debates teóricos contemporáneos. Madrid: Alianza Ed. P. 17.

[3] ALVES, Branca Moreira. PITANGUY, Jacqueline. O que é o feminismo. São Paulo: Brasiliense, 1985, p. 38.

[4] Eurodeputado afirma que mulheres são ‘mais fracas e menos inteligentes’. Para o polonês Janusz Korwin-Mikke, esta é a explicação para a diferença salarial. Disponível em: http://oglobo.globo.com/sociedade/eurodeputado-afirma-que-mulheres-são-mais-fracas-menos-inteligentes-21000889#ixzz4aMb3ESmB. Acesso em 03.03.2017

[5] TOSCANO, Moema; GOLDENBERG, Mirian. A revolução das mulheres: um balanço do feminismo no Brasil. Rio de Janeiro: Revan, 1992, p. 18.

[6] São levados em consideração os seguintes indicativos: participação no mercado de trabalho, acesso à educação, acesso à saúde e participação política.

[7] Disponível em: http://www.valor.com.br/brasil/4794593/nas-tarefas-de-casa-mulheres-doam-20-horas-do-seu-tempoehom...

[8] FSP 24 ago 07, A26.

45 Comentários

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Não vejo como apoiar um movimento ao qual suas integrantes, para demonstrar o poder das mulheres (acho eu) desrespeitam ambientes religiosos, familiares e outros, como foi no último dia da mulher quando feministas na Argentina encenaram um aborto de Jesus em frente a uma igreja. Foi um exagero desnecessário feito por feministas.

Esse tipo de atitude gera um descrédito total num movimento que se diz igualitário mas que, com esse tipo de atitude relatada acima, me parece mais um movimento de revolta e extremista. Não dá pra saber o que essas feministas querem realmente então, prefiro não apoiar e desaconselhar, mesmo concordando que deveríamos ter uma sociedade mais igualitária em todos os sentidos. continuar lendo

Anderson, todo e qualquer movimento tem sua parcela de sectaristas. Não se joga fora todo um raciocínio lógico desenvolvido em prol da humanidade (igualdade) porque segmentos A e B se sectarizaram. continuar lendo

Oi Natália. Fica difícil diferenciar o movimento A do movimento B ou C. Todas elas estampam o feminismo em bandeiras e corpos, muitas vezes de forma obscena e desrespeitosa, como ocorreu a pouco na Argentina.

Talvez a solução seria banir do movimento essas mais radicais e exaltadas ou, vocês que não se identificam com essas ações desrespeitosas, demonstrarem explicitamente repúdio quando isso acontecer. Ou simplesmente lutarmos juntos por igualdade sem precisar levantar uma bandeira ou palavras de ordem com o sufixo "ismo". continuar lendo

Anderson, os abusos e desrespeitos que são causados às mulheres diariamente pela Religião Institucional (leia-se Cristianismo na America), Estado e Hierarquias são os responsáveis por atos extremos como esse.
Esse tipo de atitude tem que ser feito sim, dessa forma ou até mais forte, pra mostrar aos certinhos como você, que só está certinho pra você, quem tem gente que não concorda com essas suas certezas. Quem sofre com as suas certezas tem que ficar calado?
Todo apoio à causa e às suas extremistas. São essas que lá na frente farão a diferença na hora que esses direitos tão necessários forem reconhecidos, principalmente pela maioria das mulheres, que apoia as ideias machistas inconscientemente, por assim mandar o padre, o pastor, a bíblia, o alcorão, o estado, a família e tudo o mais que inventaram para manter a mulher na rédea curta. continuar lendo

"Talvez a solução seria banir do movimento essas mais radicais e exaltadas ou, vocês que não se identificam com essas ações desrespeitosas, demonstrarem explicitamente repúdio quando isso acontecer".

Está aí um dos problemas, Anderson Pequeno. Vejo comunidades e coletivos verem indícios de machismo e patriarcado até em suspiro proveniente de um homem, mas feministas têm insistentemente se recusado a fazerem críticas internas às feministas que elas consideram radicais. Para mim nem há diferença entre feminismo e femismo, e já vi muitas palestrantes feministas recusando-se a fixar o que seria um e o que seria o outro. Observe o que o "feministo" Robson Santos disse: "Todo apoio à causa e às suas extremistas"... continuar lendo

Tenho como legítimo o pleito, mas repudio esses grupos organizados que promovem essa militância feminista.

A militância é agressiva, desrespeitosa e às vezes promovem atos nojentos e até anti-higiênicos. Além desse caso da encenação do aborto de Jesus, por sua mãe Maria, existem outros vários que nada somam à causa, apenas jogam grande parte da população contra tais militantes.

Uma foto circulou nas redes sociais onde uma mulher defecava em público sobre a foto de um deputado polêmico. Outra imagem mostrava uma feminista nua, usando uma focinheira, vomitando, urinando, defecando e se masturbando em determinado local também público. Outra foto nas redes sociais mostravam mulheres com a roupa suja de fluxo menstrual - meu Deus, que isso!

Tem gente aqui que defende atos extremos de um dos lados para que seus direitos sejam reconhecidos no futuro. Beleza! Só que partindo dessa premissa, o outro lado também teria o mesmo direito de apelar para atos de mesma natureza? Afinal, todos não possuem a mesma liberdade de expressão e de se determinar conforme? Sim! Mas nada justifica ausência de respeito e de urbanidade, nem mesmo contra os "certinhos religiosos".

Não há nenhuma necessidade de afrontas como a que esses grupos estão promovendo para garantirem os direitos tão sagrados da mulher. E olha que os avanços foram enormes, basta verificarmos a igualdade entre homens e mulheres esculpida na Constituição da República de 1988. Não nos esquecendo das inúmeras normas infraconstitucionais que garantem igualdade e proteção à mulher.

Repito: O pleito das mulheres é legítimo, mas repudio a militância de grupos feministas. continuar lendo

Robson Santos:
Não se esqueça que a liberdade de crença é um direito constitucional meu caro!
E o vilipendio a culto religioso é crime, ainda que essas insanas da FEMEN sejam tratadas com brandura.
Que sociedade é esta onde eu falar daquilo que creio para alguém é crime e fazer pornografia com imagens sacras é apoiado e aplaudido? continuar lendo

@nataliafoliveira

Concordo, a dificuldade é que o produto do raciocínio lógico é intelectual, novo e nem sempre facilmente compreendido enquanto a sectarização é milenar, visceral, dispensa a compreensão. continuar lendo

Os pleitos de igualdade e liberdade são legítimos; a divisão de papeis pré-estabelecida cerceia o direito de escolha de cada um, em verdadeira redução da autonomia individual. Mas o fato é que grande parte da repulsa ao movimento feminista se deve à tentativa de inflacionar os conflitos sociais, problematizando coisas, por vezes, inexistentes ou ínfimas. Ademais, é também um braço partidário, com diversos interesses políticos convergentes. Isso, infelizmente, põe em segundo plano certos ideais. continuar lendo

Corretíssimo. E também essa vertente é um guarda chuva amplo para muitos extremismos ditados não pela ânsia de justiça social, mas por individualismos perniciosos a boa parte da sociedade. continuar lendo

Um exemplo que ilustra o por quê de eu ter deixado de acreditar que bons argumentos fazem o outro mudar de ideia. A mulher escreve um artigo minucioso sobre o feminismo, bem fundamentado, rigoroso... só pra ouvir hipóteses sem pé nem cabeça, completamente mal-ajambradas. Não adianta: mudar de ideia leva anos. De vez em nunca, cai um raio em nossas cabeças que nos faz mudar nossos conceitos subitamente. No dia a dia, no chão miserável e pedestre dos desacordos, o que rege é a percepção de riscos e não a lógica. O sujeito lê, lê, lê, escuta os argumentos e a única coisa que o cérebro processa é: PERIGO. É assim mesmo! Isso acontece com todos, independente de sabermos disso (afinal, existem oftalmologistas míopes - afinal, infectologistas pegam gripe). Por exemplo, eu sei disso perfeitamente, mas ao ler "problematizando coisas inexistentes ou ínfimas", a parte do meu sistema cognitivo pré-racional funciona assim - dispara no meu cérebro um alarme de AMEAÇA!!!! PERIGO!!! CUIDADO!!! Para meu instinto, quem desautoriza o movimento pela igualdade está fazendo uma roleta russa. Difícil eu mudar de ideia, não é preconceito, é pós-conceito, são anos e anos já de observação do fenômeno. Claro, existem os "falsos positivos" (acha que é risco e não é) e os "falsos negativos" (não vê ameaça, mas ela é real). Fica com cada um a responsabilidade por seu aparelho cognitivo, suas decisões e consequências. continuar lendo

"..problematizando coisas, por vezes, inexistentes e ínfimas.". Esse deve pensar que no Brasil não existe racismo, isso é coisa de negro sem autoestima, deve achar que não existe homofobia, que isso é coisa de gay querendo aparecer na mídia e que o estupro é culpa da mulher que usa roupa curta.
Ah, pelamor né?
Não tem como ler algumas coisas e ficar calado.
Triste saber que esse é o pensamento de muitos, que, ao contrário do que se pensa, tem acesso, e muito, ao conhecimento. Mas a cabeça não funciona, não tem jeito. Tem que renascer pra aprender a repensar seus conceitos de 200 anos atrás. continuar lendo

@thiagovenco, aparentemente sofres da crise das verdades absolutas, a ideia de que o que contraria suas posições é equivocado. Escreves um texto enorme atacando um espantalho, buscando deslegitimar um comentário sem, ao menos, ir no mérito da questão. O movimento é legítimo? Sim. Tem pleitos importantes e corretos? Sim. Posso discordar de uma série de posições dele? Aparentemente, sim. Segundo você, discordar de certos pontos e vê-lo como algo partidário é simplesmente errado. Por quê? Não porque não seja, mas porque presumes que todo aquele que discorda do movimento é um ignorante.
Enfim, divergir de certos movimentos virou crime. Não me surpreende.
Robson, inflacionar problemas existentes não é dizer que eles não existem, apenas que não são tão numerosos como alguns tentam transparecer. Você discorda, paciência! continuar lendo

Hyago, não "sofro" com verdades absolutas, de modo algum, agradeço a preocupação... pesquiso a Teoria do Desacordo e descrevo esse fenômeno da percepção de risco sobrepujando os argumentos. É um caminho de trabalho, não uma patologia. Seu comentário carece de fontes, o contraste é enorme com o trabalho dela. De qualquer modo, para quem acompanha discussões sobre o feminismo, reconhece-se o padrão, como um fractal, ele se repete. Eu fui ao mérito de outra questão... a meta-análise do desacordo. Ela discute o feminismo com grande pertinência, não cabe a mim melhorar o que está bom. A ressalva é extremamente salutar - desde que proceda. No caso, as acusações infundadas (ou, talvez, hipergeneralizadas, uma distorção cognitiva já bem estudada), são falsas ressalvas. É como dizer, concordo, mas, discordo, pois na ressalva você não abre um caminho para ajuste, correção ou aponta onde pode buscar consenso. Você, após o "mas", desqualifica sem ressalvas o movimento e conclui duvidando do propósito essencial defendido no artigo. Quando leio alguém dizendo "concordo, mas discordo", usando artifícios retóricos, vejo risco. Ah em tempo - JAMAIS DISSE QUE ERA CRIME DISCORDAR. Jamais. Inclusive, para não personalizar, disse que todos estamos expostos ao mesmo problema, de suspender a lógica e trabalhar disputas como mero risco. Não me surpreende em nada - é o tema da minha pesquisa. continuar lendo

Pra mim o maior problema do feminismo é a forte ligação com partidos e ideologias políticas de extrema esquerda. O ideal seria o feminismo ser um movimento que perpassasse essa dicotomia direita/esquerda, uma vez que a luta pela igualdade de gênero independe da ideologia seguida pelo governo. Além disso, os atos repulsivos de muitas "extremistas" que, embora as defensoras do movimento aleguem serem excepcionais, mas a verdade é que se trata de algo extremamente comum em quase todas as manifestacoes feministas, acabam por afastar não só os homens, mas uma grande parte das mulheres, que chegam até a se chocar e enfraquecem o movimento. continuar lendo

Perdão senhoras, mas não são somente homens que são contra o feminismo! Sou mulher,acredito na igualdade e na justiça, mas vejo que o feminismo busca tudo menos igualdade! Não acredito em tratar todos os homens como potenciais estupradores! Nem em dar uma presunção de veracidade a toda acusação de violência doméstica ou sexual. Muitos são os homens vítimas de alienação parental por parte de ex esposas furiosas, que os acusam até mesmo de estuprar seus próprios filhos! Algumas,lamentáveis ao extremo,são verdadeiras e devem ser apuradas como tal,outras são inventadas, mas tomadas por verdadeiras sem questionamentos!
Acreditem,não poucas denúncias falsas ocorrem, destruindo completamente a dignidade desses homens!
Casos trágicos como a chacina de Campinas entram para as estatísticas como misoginia, mas não se leva em conta que o assassino havia sido fulminado em sua dignidade por uma falsa acusação de violência sexual contra seu próprio filho! Quem de nos se da conta das consequências psicológicas de algo tão grave?
Acredito em justiça, sonho com o dia em que todo e qualquer trabalhador terá direito ao intervalo de quinze minutos antes das horas extras, com um mundo onde denúncias de violência doméstica serão bem investigadas, onde o homem que seja vítima desse tipo de situação não veja o delito contra si ser tipificado como mera lesão corporal, onde a dignidade de uma vítima de falsas acusações não seja espezinhada sem maiores averiguações!
Creio que precisamos somar mais e dividir menos, apenas isso! continuar lendo

Concordo com suas premissas e observo os mesmos problemas. continuar lendo

"Acreditem,não poucas denúncias falsas ocorrem, destruindo completamente a dignidade desses homens!". Concordo. Vou deixar alguns links de reportagens jornalísticas que comprovam o que você disse para caso alguém queira ler mais sobre isso:

Nas Varas de Família da capital, 80% das denúncias de violência contra a mulher são FALSAS!!

http://extra.globo.com/noticias/rio/nas-varas-de-família-da-capital-falsas-denuncias-de-abuso-sexual-podem-chegar-80-dos-registros-5035713.html

Lei maria da penha coloca 140 mulheres na cadeia:
http://delas.ig.com.br/comportamento/2013-05-24/lei-maria-da-penha-coloca-140-mulheres-na-cadeia.html

Recorrer à lei maria da penha foi a única maneira de um homem se preservar:
http://delas.ig.com.br/comportamento/2013-05-24/recorreralei-maria-da-penha-foiaunica-maneira-de-me-preservar.html

45% da denúncias nas DEAMS são falsas:
http://www.compromissoeatitude.org.br/denuncias-de-violencia-contra-mulher-improcedentes-prejudicam-policia-g1-18082014/

O Juiz Edilson Rumbelsperger Rodrigues considera que a criação de penas mais duras para o feminícido está correta e diz que aplicará a nova lei. Afirma, porém, ser a favor também de “punição exemplar” para mulheres que “se automutilam ou provocam seus maridos” para conseguir enquadrá-los na Lei Maria da Penha.
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2015-03-08/machismo-no-judiciario-pode-limitar-impacto-da-lei-do-feminicidio.html

Elas batem. Eles apanham: O maior levantamento sobre a violência amorosa entre os adolescentes brasileiros revela que as meninas agridem mais que os meninos. Por que elas ficaram assim?
http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2011/10/elas-batem-eles-apanham.html continuar lendo

Rui Ferreira, qual instituto fez a estatística dos 80% de acusações falsas? Tem alguma estatística OFICIAL?
Funcionários do judiciário fizeram essas declarações no RJ. Então o Mapa da Violência e o Departamento Penitenciário Nacional estão bem errados quanto aos índices de violência perpetrada por homens e por mulheres no Brasil, porque os dados apresentados nesses 80% aí não refletem a realidade. Os dados do DPN estão nesse artigo.

http://especiais.ne10.uol.com.br/raizes-da-intolerancia/misoginia.php

A propósito, nunca ouviram falar em coação de vítimas e nunca ouviram falar tb em vítimas com medo do algoz? Muito fácil dizer que acusações são falsas, sendo que estamos no país da impunidade, em que as vítimas são silenciadas e muitas vezes não recebem assistência adequada do sistema. Para isso criaram a lei Maria da Penha, para que o Estado processe os agressores, não as próprias vítimas, que voltam frequentemente atrás em suas denúncias com medo de ameaças.
Isso aqui não é o maravilhoso mundo de Bobby não, gente. continuar lendo

Isso aquí não é o fantástico mundo de Bobby mesmo não.
Obvio que as verdadeiras agressões devem ser coibidas ne?
Mas e a cifra negra das falsas denúncias hein?
Voces vao fingir que não existem?
Será que um homem, só por ser homem merece a presunção de estuprador?
Ademais, as falsas denuncias deveriam ser veementemente combatidas pelas feministas, afinal atrapalham e muito a vida de quem realmente sofre violência doméstica.
Mas pra quê né? Importante é engordar as estatísticas dos homens malvadões...
Qualquer ser humano de bom senso que lutasse por justiça de verdade se compadeceria desses pais vitimas de alienação parental!
Não adianta negar, ela existe... e a grande maioria das alienadoras são... olha que surpreendente... as mães! continuar lendo